Ele encostou seu carro próximo àquele luxuoso prédio, como se tivesse voltado no tempo e fosse até a portaria onde ela sempre o esperava. Mas dessa vez, ele permaneceu no carro, deixou a playlist tocar, deixou apenas as lágrimas internas descerem, pois externamente ele estava frio, o pensamento voava em direção ao 10° andar. Perdeu-se. Desejou descer, correr e interfonar, implorando para que ela voltasse atrás, olhasse para trás, sentisse falta do passado que ele ainda guarda vivo em sua memória. Voltou à realidade novamente, baixou a cabeça e olhou fixo para o parabrisa embaçado pela chuva. E foi ali, que perdeu-se de vez.
Soltou um último sorriso, e deixou que seu coração gritasse de dor, de saudade e daquela imensa vontade de desejar fazer algo, qualquer coisa, mas saber que nada vai adiantar. Àquela ligação de noite, daquele dia perdido, o fez entender o quanto ela esqueceu as lembranças tão rapidamente, porém o que mais o entristecia era o fato de que ele não conseguia fazer o mesmo, e isso o assustava.
Reconstituiu as idéias, ligou o carro, sentiu mais uma vez aquela estúpida vontade de correr e interfonar, mas dessa vez ele acelerou, não olhou para o retrovisor como antes. Ele simplesmente acelerou, passou pela academia em que ela frequentava e ainda assim continuou. Ele deseja acelerar, controlar suas emoções, mas seu coração insiste em permanecer estacionado na dor.
Chegou a hora de descer e empurrar...
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