Ele aguardou ansiosamente por estes três dias, esperou a semana se arrastar até sexta, aguentou aquelas aulas complicadas e que o sugavam cada vez mais e nem mesmo aquele compromisso marcado para 9 da manhã no sábado faria ele permanecer em casa sendo consumido pela solidão.
E foi assim, na noite de sexta, tomou aquele longo banho que parecia o rejuvenescer, colocou a calça jeans que mais lhe agradava, o belo tênis que trouxera de sua viagem nas férias e a camisa pólo branca que ele tanto adorava. Encontrou com o amigo na portaria de seu edifício e partiram em direção aquela boate, várias garotas, uma garrafa seca no final da festa e o sono que o tomou até as onze horas da manhã do dia seguinte. No sábado, foi em um aniversário de alguém próximo, sentou-se e admirou aquela loira que dançava querendo atenção de todos os homens naquele recinto, sentiu o cansaço do dia anterior mas tentou animar-se um pouco conversando com seus amigos, em vão, faltava algo, algum sentido, qualquer coisa que o fizesse retomar suas energia, mas sentiu que sua casa seria o melhor rumo à se tomar. Antes é claro, preferiu ter certeza e partiu com um amigo rumo a uma casa noturna, como seu pai dizia, e acabou constatando que o problema era ele, estava cansado e queria sua cama, seu travesseiro, seus pensamentos solitários.
No domingo, passou o dia pensativo, com exceção do momento em que seu time do coração começou a jogar o clássico com aquele rival mais odiado, em seguida viu aquele programa de tv famoso, que todo mundo adorava porque você conseguia rir sem esforço. Ao deitar-se, lembrou-se que as provas da faculdade já estavam chegando e prometeu tentar estudar nas semanas seguintes, mexeu no celular e desejou acordar cedo no dia seguinte e preparar-se para semana que chega, sem aquele cansaço que ele carregava, aquele peso que ocupava suas idéias. Falta algo, quem sabe algum rumo, mesmo que seja o caminho de volta.
domingo, 19 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Mais além.
Sentado na sacada, começo a me perder em meus pensamentos, claras lembranças que ofuscam meu sorriso. Já deveria estar acostumado a ser submetido a essa doce tortura, talvez essa palavra "tortura" seja muito forte, acredito que a certa seja solidão. O que tento realmente entender é por que pareço ter um enorme medo de estar em minha própria companhia, como se meu "eu interior" fosse um completo monstro e ficar 5 minutos sem ninguém próximo de mim já fosse motivo de depressão. Agarro-me ao meu iPod na esperança que ele me conforte com músicas leves e que suas letras falem de amor, amizade ou até compaixão, mas que consigam nem que por míseras palavras organizar meus pensamentos e fazer com que eu entenda o que se passa. Meio complicado para explicar, mas dando uma breve introdução sobre o que penso : imagine que você acabou de acordar numa noite fria e tenha faltado luz em sua casa, você indaga ao vento esperando resposta e nada ! Apenas a solidão fria te abraça, te oferece abrigo e companhia, mas você não se sente satisfeito, pega o celular e liga pra um, dois, cinco amigos e eles não atendem. É quando você retorna pra sua cama e percebe que vai ficar sozinho pelo menos até o dia amanhecer. Fácil, é só retornar ao sono e esperar que o sol o faça levantar, mas fechar os olhos por cinco minutos parecem um dia completo, permanecer estático começa a lhe irritar até que chega num ponto em que você não sabe o que fazer e é aí, que a luz volta, seus amigos lhe retornam as ligações e você vai dormir tranquilo e esquecer que esteve só. No meu caso, a luz ainda não voltou...
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