Sinto uma certa estranheza quando fico um tempo inerte, longe destas palavras que espelham de forma clara o que minha alma sente. As palavras fogem, a prática para passar exatamente o que sinto deixa de virar comum. Antes bastava apenas ver e tudo se tornava claro, mas tudo ficou turvo como um horizonte num dia nublado. Talvez seja o que passei, pois foram tantas vivências, idéias, que falar apenas sobre algo e excluir por ora outros acontecimentos torna-se um insulto.
Portanto, agora quero destacar meu coração ! Entenda, destacar no sentido de retirá-lo, isso mesmo, arrancar o que dá vida aos meus sonhos. Dessa vez não é dor, nem tristeza e muito menos desilusão. Eu queria ser mais cético, ríspido, porque assim evitaria que qualquer resquício de sonhos ou alegrias, me atingisse sem pudor e invadisse o que penso e o que sinto como um vírus corroendo cada sonho mais belo, cada sorriso mais alegre, pois aqueles resquícios simplesmente já me bastavam. Eu assumo, a culpa é minha, sinceramente acho ridículo quem culpa qualquer um por mentir, enganar ou iludir...sou eu, e apenas eu quem acredito, cuido e alimento aquele sentimento ilusório como um fantasma deixando-o cada vez mais forte e seguro. Então, chega aquele belo ponto, em que você se encontra perdido e aquele sentimento antes controlado te engole tão facilmente, que somente momentos depois você percebe sua desvantagem ao tentar destruí-lo. Entretanto, não me entrego facilmente, recúo e deixo a mesma dor e ilusão que antes retiravam minhas forças, preencherem meu coração, secando cada resquício daqueles sonhos e alegrias. E assim jogo seu jogo, destruo seu coração, retiro seus sorrisos e inundo seus olhos com lágrimas. Desejo a dor mais insuportável, para que você aprenda que não se deixa nenhum coração se iludir...você vai pagar pela sua mentira.
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